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Sexo e Mídia

Campanhas de apelo sexual vendem mais produtos?

Tudo começou com a icônica campanha da Calvin Klein, que com o slogan “Você quer saber o que há entre os meus Calvins e eu? Nada.”, estrelando a então debutante Brooke Shields, acendeu o debate sobre a questão.

Campanha Calvin Klein com Brookshields em 1980

 O conservadorismo de TVs americanas como CBS e NBC continua, mas anúncios como os da Abercrombie & Fitch, vídeos da Lady Gaga, sites da web e reality shows como o programa da MTV “The Real World” (O Mundo Real), bombardeiam os consumidores com imagens de forte apelo sexual. Apesar de serem mais explícitos que nunca, crianças e adolescentes raramente se chocam com tais imagens.

Abercrombie & Fitch

Os marketeiros têm como público-alvo a faixa etária dos 8 aos 12 anos, que gerou um total de US$ 6,24 bilhões em vendas no setor de vestuário só no ano passado, e US$ 407,8 milhões em roupas íntimas. Na faixa etária dos 13 aos 18 anos, os gastos totalizaram respectivamente US$ 25 bilhões e US$ 1,2 bilhão.

O apelo das roupas íntimas já atinge estas consumidoras que estão se vestindo de maneira cada vez mais provocante. Sutiãs com bojos que realçam os seios, tops tomara-que-caia, peças corsetadas, shortinhos com cortes masculinos e outras peças similares, com dizeres contendo forte conotação erótica.

American Apparel

Há uma sexualização das garotas jovens. São extremamente sociáveis e conectadas, mais do que qualquer outra geração anterior, e já nasceram em um caldeirão tecnológico, o que lhes confere mais maturidade, inclusive em relação a imagens de anúncios que têm uma proposta sexual. As marcas e varejistas, porém, parecem relutantes em discutir os impactos causados nestas consumidoras.

Imagens de estrelas como David e Victoria Beckham e Megan Fox para Emporio Armani, e de Kate Moss, Mark Wahlberg, Hilary Swank e Eva Mendes em roupas íntimas para Calvin Klein, fazem parte desta nova estratégia de marketing. Marc Jacobs e Tom Ford também se utilizaram desta abordagem mercadológica para criar uma aura sensual ao redor de suas marcas.

Marc Jacobs

O embate entre o que é moralmente aceitável e o que é imposto a estas consumidoras apenas com o intuito de aumentar as vendas continuam. É um assunto que certamente dará muito pano para manga.

Por André Monteiro

 


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