Você anda sempre na moda? A qualquer custo? Hmmm...
Por Alessandro Pinesso
Há uns 30 anos, Rita Lee já cantava “Agora é Moda”, ironizando as tendências de comportamento. Poucos anos antes, Thin Lizzy, numa toada semelhante, cantava “Dedicated Follower of Fashion”, ou seguidor aplicado da moda, numa tradução livre. Hoje, a moda como negócio cresceu enormemente em todo o mundo. Para sobreviver e aumentar suas receitas, as griffes de alto luxo não tiveram outra saída senão pulverizar seu poder de atração criando linhas de perfumes, óculos e outros itens acessíveis ao consumidor médio.
A moda, embora fonte de apuro estético e elegância, também oprime e pasteuriza o visual das pessoas que vemos todos os dias. É tanta gente parecida que chega a irritar, mesmo entre os ditos fashionistas. Ao seguir as tão propaladas tendências, a indústria desova produtos em série que se espalham pelas ruas como erva-daninha. Vamos a alguns exemplos recentes.
As famigeradas botas “patas de elefante”, por exemplo. Não há criatura nesse mundo que fique bem nesse tipo de calçado. Embora esteja menos visível, sempre aparece uma mulher andando com um par destas botas, principalmente confeccionadas num tom burro-quando-foge com solado em preto.
Temos também as calças skinny, inspiradas no clássico visual rocker, de cintura baixa e bem ajustadas ao corpo. Em pessoas magras, longilíneas, até fica bem. Ocorre que a mulherada fora de forma insiste em vesti-las, ficando com a barriga caindo sobre a cintura pois, geralmente, são usadas com blusas curtas e também justas. Para piorar, os tênis, volumosos e geralmente brancos, completam o look desastroso.
A mania que as mulheres brasileiras têm de tingir os cabelos de loiro, ruivo e/ou alisá-los. Gente morena não fica bem nesses tons, não adianta insistir. Mas o povo insiste. E muito.
Agora, passando a uma categoria dita “mais informada”. Na antepenúltima edição do SP Fashion Week havia homens usando calças skinny
A função da moda é – entre outras – criar coisas novas ou, no mínimo, releituras interessantes (como fazem Vivienne Westwood e John Galliano, para citar dois mestres nessa seara). Mostrar novos caminhos que, em menor ou maior grau, podem nos inspirar, gerar mudanças positivas. A minissaia, por exemplo, foi uma verdadeira revolução, um grito de liberdade nos intensos anos 60. O problema é que o mercado – e, muitas vezes, os consumiores – carecem de bom senso. E de elegância. É preciso se informar para saber o que usar e não cair na armadilha “fashion victim”. De resto, vamos bem, obrigado.
