O Closet On Line esteve presente na 12ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana que aconteceu de 15 a 18 de agosto na cidade de Caruaru, interior de Pernambuco. O evento reuniu expositores, representantes e designers do agreste brasileiro e teve como intuito maior a promoção da moda pernambucana.
Doze municípios pernambucanos estavam representados no evento por 120 indústrias que foram convidadas pela organização a expor seus produtos. Christiane Fiúza, que é consultora da J&B Consultoria e organizadora da Rodada de Negócios, revela que o evento passa por um franco e contínuo processo de evolução e ressalta que o progresso mais significativo diz respeito à qualificação do produto pernambucano.

O PERFIL DA FEIRA
Antes de serem selecionadas, as empresas participantes da Rodada de Negócio passam por um crivo que visa, entre outros, sua regularização e modernização. Esses esforços se refletem na qualidade do produto final, que acaba por ter maior qualidade e menor preço.
No entanto, Christiane não acredita que exista uma fórmula mágica para o sucesso da feira, nem que haja um modelo ideal a ser atingido. Ela diz: “Nenhum evento pode cair naquela mesmice de dizer ‘está consolidado’, porque o mercado é constante, dorme de um jeito, acorda de outro. Nesse mercado de moda então! Seu alguém disser que já chegou a um modelo ideal, eu digo ‘minha filha, pode assinar que seu negócio está morrendo!’”.
Apesar de o foco da Rodada de Negócios ser a moda comercial, o que alguns chamam de “modinha”, organização e compradores são unânimes ao dizer que a gama de produtos oferecidos atende a mercados de diversos níveis econômicos. Everaldo Lopes, comprador da rede de magazines mato-grossense Flamboyan atesta que há opções para vários públicos, “Desde a baixa renda, até a classe média, classe média alta”. Vale ressaltar que muitos dos clientes presentes no evento procuram serviços de coleções personalizadas, os chamados serviços de private label.
TÊXTIL E MODA EM PERNAMBUCO
A visita à Rodada de Negócios nos permitiu observar algumas particularidades do mercado de têxtil e moda da região. A presença feminina na liderança das indústrias é bastante expressiva. Christiane diz que isso se deve ao fato de que muitas dessas mulheres que hoje são chefes de confecção começaram de baixo, vendendo roupas feitas em casa nas chamadas “sulancas” – feiras livres onde se vendiam gêneros, entre outros, de helanca. Mesmo sendo essas feiras vistas com preconceito por boa parte do setor têxtil e varejista, Christiane diz enxergá-las como um laboratório eficiente para testar o mercado de determinado produto e diz com orgulho que hoje trabalha com marcas que surgiram nas “sulancas”.

Outra particularidade, essa mais surpreendente, é a quantidade de jovens empreendedores pernambucanos. Meninos e meninas de menos de 25 anos que, coordenam a produção das fábricas dos pais ou até mesmo de seus próprios empreendimentos. Conversamos com Manuel Henrique, designer da marca de surfwear Rajada. Ele nos conta que o convívio com o maquinário têxtil e com o ambiente da confecção acontece desde muito cedo e ressalta a importância de se conhecer o processo de fabricação de seu produto do início ao fim. “Você não pode entrar em nenhum negócio sem saber como funciona. Tem que saber o mínimo de costura, de corte, de estampa também” Ele diz que conhecimentos mínimos em modelagem e costura são essenciais para melhor controle da produção.
O QUE A PERNAMBUCANA TEM?
“O produto certo, para o público certo, para a loja certa” Esse é o mote da Rodada de Negócios e revela seu comprometimento com o business local. A moda pernambucana parece estar alerta às necessidades de seus compradores locais e ávida por novos mercados – leia-se “sul – sudeste” -. A organização pensa em detalhes que poupam o tempo tanto do lojista quanto do comprador e agilizam o fechamento de negócios. Cientes da má fase que passam os mercados internacionais, os confeccionistas pernambucanos focam no bom suprimento da demanda interna, freando a ação da concorrência asiática.
Depois de passar alguns dias acompanhando mais de perto o mercado de confecção pernambucano, fica a impressão de que se trata de um ramo bastante focado, que sabe o que quer e que está se organizando para atingir seus objetivos. É bastante satisfatório ver que o Governo do Estado de Pernambuco e órgãos como o SEBRAE e o SENAI fornecem todo o respaldo necessário para o fortalecimento da indústria têxtil, o segundo setor que mais emprega no país. A lição que fica é que existe sim moda de qualidade fora do eixo Rio - São Paulo.
Augusto Paz