Os desfiles da última quarta-feira encerraram a temporada outono/inverno 2012 da Casa de Criadores.
Rober Dognani, Jacinto, Jadson Ranieri, Arnaldo Ventura e a Sumemo fecharam o último dia de desfiles da Casa de Criadores outono inverno 2012 nesta quarta-feira, 14 de dezembro.
Rober Dognani
Conhecido por seus vestidos de festa pomposos e ricos em detalhes, Rober Dognani se diz cansado dos excessos e possuído por uma vontade de limpar ao máximo sua estética. Seria esse fastio visual ação do que a Academia chama de “Espírito do Tempo”? Teria o estilista se inspirado na estética minimalista tão vigente no hemisfério norte? Ora, não importa! O que interessa mesmo é que o estilista amarrou muito bem suas referências – Idade média e o estilista Rudi Gernreich – e compôs uma coleção de vestidos classudos feitos em lurex de seda, seda e couro. Rober propõe a volta da calça bailarina em neoprene leve. As peças em laranja têm clima mais cotidiano e uma bossa indiscutivelmente sessentinha.

Jacinto
Liderada pela dupla Douglas Pranto e Glaucio Paiva, a Jacinto já mostrou a que veio apresentando peças em um estilo minimalista apurado e com execução sofisticada. Para este inverno, os estilistas olham para os nômades europeus para compor casacos amplos e abaulados e vestidos curtinhos. As referências arquitetônicas não ficam de fora e se revelam na modelagem geométrica e nos recortes. A cartela abarca tons terrosos, amarelo, cinza, preto e branco. Douglas e Glaucio já se provaram extremamente capazes, mas parece que precisam sair um pouco de sua zona de conforto. No mais, uma boa coleção.

Jadson Raniere
Apesar dos modos tímidos e da fala pacata, existe força nas coleções de Jadson. Ora manifestada mais suavemente, ora de maneira mais explícita. Nesta temporada, o estilista pegou a tão sóbria alfaiataria e a virou do avesso – literalmente! As peças têm acabamentos expostos e lembram as porções internas de costumes e blazers. O criador usa tecido de forro para o exterior de seus casacos e ladeia os ombros com material peludo. Para os homens mais seguros, saias pregueadas.

Arnaldo Ventura
A loja de Arnaldo pode estar afastada do fervo da moda, mas sua coleção está em completa sintonia com o momento atual. Falando sobre o Oriente, o estilista levou ao palco do Cine Joia um grupo de tocadores de tambor japonês, emoldurando muito bem sua coleção e revelando uma preocupação muito grande e cabida com a ambiência do desfile. O começo foi dominado por peças em tom camelo e por um tafetá estampado. O estilista brinca com as formas das roupas das gueixas e dos samurais, criando uma coleção bem amarrada. Há opções em tricô para os não adeptos dos casacos estruturados.
Sumemo
Desfiles de moda são uma poderosa arma de marketing. Além de mostrar à imprensa especializada e aos apreciadores do assunto as propostas da próxima estação, o bom desfile deve envolver o espectador na atmosfera da coleção e transmitir, mesmo que minimamente, o estilo de vida que a marca procura atender. Quando falamos de uma marca como a Sumemo – notória por suas camisetas estampadas – a tarefa fica um tanto mais complicada. Sem as extravagâncias das modelagens complicadas e cartelas de cor infinitas, fica mais difícil impressionar. Houve camisetas? Sim. Houve jaquetas? Sim. Houve calças femininas justíssimas? Sim, Mas tudo apresentado de uma forma bruta, imposta. O estilo, dito do rock, transita por entre o hip hop e o preppy e acaba se perdendo no meio do caminho. Sobre a apresentação em geral, com direito a banda de rock e DJ ao vivo, parece que existe uma preocupação tão grande em mostrar a todos que a marca é transgressora e que veio para ficar, que se esqueceu do principal, das roupas. A ansiedade em mostrar os clientes e simpatizantes da marca como uma grande família acaba dando ao espetáculo um tom falso, alheio ao rock em que a marca diz se inspirar.

Fotos: Flickr NaMidia
Por Augusto Paz