Ongs atuam em comunidades carentes e reforçam renda familiar
O Espaço de Economia Solidária e Criativa vai reunir ONGs selecionadas pelo evento, organizadas em torno da produção de vestuário e acessórios de moda, todas com foco na sustentabilidade. Em sua terceira edição no Senac Rio Fashion Business, de grande projeção na mídia, As Charmosas, que montou um atelier comunitário nas comunidades do Engenho da Rainha e do Complexo do Alemão, vão apresentar peças com o tema Eco-Etnia, que representa a mistura de raças e religiosidade baseados nos elementos da natureza: água, fogo, terra e ar.
O resultado são sapatos customizados feitos a partir de sobras de tecido, de resíduos de festas e PET. Lançam ainda brincos e colares confeccionados com galhos secos de coqueiros e saias pintadas e bordadas à mão. Tudo a ver com seus princípios básicos: reduzir, reutilizar, recuperar, reciclar e repensar. Ou seja, sustentabilidade é a alma das Charmosas. Elas colhem resultados da visibilidade alcançada com o Fashion Business, como a criação, em novembro de 2011, do Centro de Arte Moda Etnias Divas, cujo público alvo são mulheres, sobretudo da Terceira Idade, e alunos da rede pública de ensino. “Entre as atividades que desenvolvemos estão oficinas de artesanato e moda, de empreendedorismo feminino e biblioteca comunitária, além de exposições e reforço escolar”, enumera a coordenadora Eleandra Fidelis, que começou a trabalhar com 15 colabores e hoje reúne cerca de 60.
ONDA CARIOCA
A ONG Onda Carioca, na comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, debuta no Fashion Business com peças que compõem seu projeto Costurando o Futuro. Seu objetivo é promover a capacitação profissional de pessoas de baixa renda, a gestão de resíduos e a educação ambiental. Os destaques são o Ecoguardasol, primeiro guarda-sol ecológico feito de lonas descartadas e a bolsa Rio+20, confeccionada com lona e resíduo de tampinha de garrafa. Criada em 2007, a ONG promove o reaproveitamento de lonas descartáveis para a confecção de bolsas e acessórios.
“Fazemos a gestão ambiental dos resíduos de lona e tampas de garrafa, promovemos palestras comunitárias de meio ambiente e cidadania e oferecemos cursos de capacitação profissional em costura de lonas descartadas”, resume a coordenadora Luciana Accioly, que trabalha com seis funcionários da comunidade. Segundo ela, a Onda Carioca sobrevive da doação de terceiros, da comercialização dos produtos sustentáveis que produzem e do patrocínio da Confederação Brasileira de Voleibol, destinado ao projeto Costurando o Futuro. “Nossa missão é ser uma força de transformação para um Rio de Janeiro sustentável, expandindo a consciência, aproximando as pessoas e valorizando a cidade”, conclui Luciana.
REDEIRAS
Acessórios confeccionados com rede de camarão reciclável - cujo carro chefe é a bolsa Lagoa dos Patos -, biojoias de prata e escama de peixe são as novidades que as Redeiras, da Colônia de Pesca São Pedro, em Pelotas (RS), trazem para o 19º Senac Rio Fashion Business. Dez artesãs que há três anos atuam em casa, basicamente em torno do mesmo projeto de trabalhar com redes, as Redeiras priorizam o uso de materiais descartados pelos pescadores, como o couro e a escama de peixe, além da rede de pescar camarão recolhida na beira das praias ou dos galpões. “As lavamos bem lavadas, recortamos em fio e depois trabalhamos no tear manual ou no crochê para fazer bolsas, carteiras, chapéus e acessórios femininos”, explica a coordenadora, Karine Soares.
Em processo de formalização de uma associação de artesãs, elas recebem apoio do SEBRAE RS na forma de uma consultoria de design, orientação e controle de qualidade, participação em feiras e impressão de catálogos. Após o primeiro Senac Rio Fashion Business, em maio passado, elas conquistaram clientes no Rio de Janeiro e Espírito Santo. “Hoje, consideramos que nosso produto tem boa aceitação. Atendemos a cerca de 15 lojistas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Sul”, contabiliza ela.
Da redação