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Pense Moda fala sobre comportamento de consumo da Classe C

Profissionais apontam os caminhos para uma melhor comunicação de moda com o nicho

Conectado com o momento que vive a moda brasileira, o Pense Moda chamou ontem, 5/10, para uma mesa redonda sobre comportamento e consumo de moda na Classe C os publicitários Celso Loducca, André Torreta, o diretor de marketing da LG Humberto di Biase e o sócio-fundador do escritório de pesquisa 1824, Rony Rodrigues. As falas foram mediadas por Letícia Malta, sócia-diretora da agência Mindset.

A tônica da conversa, num geral, é que lidamos com um cidadão médio novo e ainda um tanto desconhecido em seus desejos e personalidade. O Brasil tornou-se um país de classe média há poucos anos – fala-se de 2008 como marco dessa mudança – enquanto que países como Estados Unidos o são desde os anos 50. Não que essa maciça “nova classe média” tenha surgido do dia para a noite, mas faz pouco tempo que se começou a olhar para ela com menos preconceitos.

A respeito da comunicação entre o mercado de moda e a Classe C, ressaltou-se uma velha rusga que existe entre moda e publicidade, principalmente no que diz respeito ao uso de referenciais regionais. Um bom exemplo dado foi o de empresas de moda que querem vender uma imagem de sensualidade à consumidora brasileira, mas se utilizam de códigos típicos da sensualidade europeia – mistério, sisudez etc. As campanhas buscam códigos globais e se esquecem dos regionais. Falou-se também da necessidade de adaptar os formatos da comunicação de moda a um público com menos referências culturais e, por conseguinte, menos referências de moda.

Sobre a pujança econômica da Classe C, foram expostos dados bastante relevantes. Falou-se de uma classe social que compreende 61% de todas as compras efetuadas em ambiente online, o que corresponde a uma movimentação anual de 1 trilhão de reais. O Closet On Line falou com André Torreta após a mesa e perguntou a respeito dos altos níveis de inadimplência no país, em especial entre a Classe C. Torreta foi categórico: “Só se endivida quem compra! Falamos de uma inadimplência dentro de controle. A Classe C ainda está aprendendo a consumir e isso é normal”.

Foi pontuado que o endividamento do cidadão médio brasileiro é controlável e aceitável. A inflação fez do brasileiro um comprador rápido e gerou certo medo de compras a prazos muito longos. A falta de inflação em países como Estados Unidos e Inglaterra foi citada como um dos causadores dos altos índices de inadimplência nesses países.

A respeito dos valores desse grupo, pontuou-se que são vistos como tendo o perfil de “batalhador incansável” – e esse é um traço observado pelo estrangeiro em todas as classes sociais brasileiras – e como sendo um grupo de pessoas de valores mais arraigados e simples. São pessoas mais solidárias, que prestam mais favores e convivem mais intensamente umas com as outras. Latícia Malta sintetizou perfeitamente: “O Facebook da Classe C é ao vivo”. Sobre suas aspirações, ao contrário do que reza o senso comum, não se trata de uma classe que deseja mimetizar os padrões de consumo da Classe A, mesmo porque, e isso foi pontuado com certa veemência, os referenciais de estilo de vida das classes mais abastadas são intangíveis à Classe C.

Em suma, nos deparamos com uma multidão de novos compradores sedentos por produtos de moda – ainda é uma classe que compra quantidade em vez de qualidade – mas que ainda não tem pleno domínio da informação de moda. Seus principais meios de aquisição de referenciais de moda são a televisão e os blogs e é claramente identificável um desejo pela construção de uma identidade própria. Nesse sentido, o estudo dos referenciais regionais e uma boa dose de didatismo se fazem necessários para aqueles que queiram se comunicar mais intimamente com esse grande novo mercado que é a Classe C.

Augusto Paz


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