Palestra apresentada no último Minas Trend Preview aponta as direções a serem seguidas na moda
Ima Campbell, editora de acessórios do WGSN, um dos escritórios de tendências mais respeitados do mercado, se apresentou durante o Minas Trend Preview Inverno 2012 e falou ao público sobre os novos caminhos da moda para o verão 2013 – Sim, o mundo das pesquisas de moda pensa bem à frente. Se os estudos do bureau estiverem certos, preparem-se para um verão de referências cinematográficas e passadistas.
No campo das microtendências – indicações mais específicas de peças, tecidos e cores -, toma-se emprestado dos anos 1970 o blazer cropped – mais ajustado e curto -, as saias pregueadas, as calças de pernas largas e as camisas com laços na gola. Dos anos 60, ressurgem os vestidos em linha A, ou trapézio e as calças cropped, de preferência as justas. O blazer do namorado também tem seu retorno e as saias midi, difíceis de pegar na terra brasilis, aparecem em versão lápis. Para os rapazes, camisetas de malha em cortes assimétricos e mais amplos, jaquetas utilitárias e camisas mais justas, com direito a pences.
No campo das macrotendências – indicações gerais de clima e ambiência -, trabalha-se com três temas: Primal Futurism, Cinematic e Jpeg Gen. O primeiro deles mescla o primitivo e o mitológico e lhes dá roupagens tecnológicas. Fala-se aqui da criação de novos mitos e da volta às origens humanas. Trocando em miúdos, falamos aqui de uma retomada do uso de materiais mais simples – reflexo da crise? -, do emprego de tons terrosos e acinzentados e de uma mistura da estética minimalista com padronagens étnicas. O primitivismo também se manifesta através do uso de metais envelhecidos e do emprego de técnicas manuais aplicadas a materiais tecnológicos. Para os acessórios, fala-se de linhas limpas e formas geométricas. A bijuteria é elevada ao status de talismã de uma guerreira contemporânea a aparece guarnecida com pontas, lanças e banhos envelhecidos.
O tema Cinematic versa sobre o fantástico mundo dos filmes e está muito calcado em uma ideia de nostalgia e escapismo. O cerne desse tópico está em olhar para os ícones cinematográficos do passado e se apropriar do estilo de diversos deles sem muita preocupação com a fidelidade do estilo de uma época específica – seria um eco da teoria do Supermercado de Estilos de Ted Polhemus? -. A estética é bastante retro, mas o emprego de cores saturadas e de estampas confere ao visual um quê de kitsch. Os sapatos aparecem mais discretos e clássicos. Os saltos altíssimos são trocados por outros de alturas intermediárias. Em contrapartida, as bijuterias surgem maximalistas. A mistura de pedrarias e cristais resulta bastante divertida e se contrapõe a uma linha de colares, brincos e pulseiras num estilo Art Déco decadente.
Na linha Jpeg Gen, a palavra de ordem é “Ironia”. A ousadia está em voga e pede mistura de texturas e materiais, não importa o quão excêntrico seja o resultado. Aliás, é bem recomendável que o resultado não seja lá muito convencional. A “Geração JPEG” dá adeus ao último milênio em clima de pastiche e irreverência. As cores fortes e formas quadradas são pontos fortes aqui. Nos calçados, quanto mais androginia, melhor. Elas usam brogues e oxfords e eles podem se dar ao luxo de arriscar cores vibrantes, brilhos e outras extravagâncias. Os acessórios são maximalistas e muito coloridos. A junção de diversos elementos lhes dá uma cara de “patuá da metrópole”.
Augusto Paz